ENTRETANTO, COMO EU DESEJAVA, A VERDADE APARECEU
FENDENDO-ME A MENTE COM UM GRANDE FULGOR DE LUZ
AQUI MEUS PODERES DESCANSAM DA ALTA FANTASIA
MAS EU JÁ PODIA SENTIR MEU SER FEITO
INSTINTO E INTELECTO IGUALMENTE EQUILIBRADOS
COMO NUMA RODA CUJO MOVIMENTO NADA FERE
O AMOR QUE MOVE O SOL E AS OUTRAS ESTRELAS
(Dante descreve sua luta com o enigma do universo)
A unicidade da psique é de tal magnitude que
nunca se poderá imaginá-la inteiramente real,
pois só pode ser compreendida aproximadamente,
embora ainda seja a base absoluta de toda
consciência.
A REALIDADE EMPÍRICA TEM UM FUNDO
TRANSCENDENTAL
O fundo comum da microfísica e psicologia de
profundidade é tão físico quanto psíquico, e
portanto, nem uma coisa nem outra, mas uma
terceira coisa.
C.G.Jung
A própria idéia de humanidade é, para o
homem, um infinito do qual pode aproximar
-se mais e mais no curso do tempo, sem ja-
mais alcançá-lo.
Se o homem fosse capaz de fazer essa dupla
experiência, em que estivesse consciente de
sua liberdade e sentisse sua existência,
"em que se percebesse como matéria e se
conhecesse como espírito, nestes casos ,
e só nestes, ele teria uma intuição plena de
sua humanidade".
(Schiller)
Jung propõe essa mesma noção como o
objetivo psico-terapêutico: alcançar um
estado psíquico de fluidez, um jogo entre
as capacidades racionais e sensíveis do
homem. Nesse jogo, nesse estado lúdico,
a fantasia que possibilita a união dos
opostos. A fantasia não erra porque sua
base instintiva e animal é por demais pro-
funda e íntima. A base instintiva humana
e animal é o inconsciente coletivo, o elemen-
to atemporal da psique, através da imagi-
nação ativa: a sua natureza lúdica possi-
bilita a unidade do consciente e inconsciente,
o temporal ao intemporal, o devir no ser.
A arte
da conversação
Tornar-se aquilo
que se é: significa
individuar-se .
A arte exige o ser humano inteiro
O diálogo entre as figuras da imaginação
Não posso pretender conhecer-me , a não ser
que conheça os arquétipos.
O campo arquetípico é um policêntrico teatro
dessas figuras, formas-imagens, símbolos.
O paradoxal e a dificuldade do processo de
individuação é exatamente contatar, dife-
renciar, assimilar os conteúdos, até certo
ponto, integrar essas figuras/complexos/
personalidades parciais que, num primeiro
momento se apresentam à consciência como
um mundo estranho e assustador.
É no palco psíquico que essas figuras da
imaginação emergem.
O inconsciente não é apenas um espelhar
reativo, mas atividade produtiva e
autônoma e, por isso mesmo seu campo
de experiência constitui uma realidade,
um mundo próprio, quando não arcaico.
O conhecer-se, no processo de individuação
trás à consciência o inconsciente; e um dos
perigos consiste no fascínio que essa camada
mitológica exerce quando tocada.
É importante ter presente que por meio das
imagens, e dos sonhos, é que o mundo ins-
titivo está se revelando, se expressando e
dialogando com o ego-consciência.
O insight deve ser convertido numa
obrigação ética, pois colocam grande res-
ponsabilidade sobre o homem.
O fracasso em compreendê-las, ou
negligenciá-las, priva-o dessa completude
e impõe uma dolorosa fragmentação em
sua vida.
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