domingo, 7 de dezembro de 2008

Ártemis: deusa das feras

Ártemis, de um lado é a virgem caçadora, irmã de Apolo, que partilha sua luz. Contrariada, porém, pode tornar-se vingativa e ardilosa.
Como foi dramatizada no mito do jovem Acteón, despedaçado pelos seus sabujos a mando de Ártemis, porque a espreitara durante o banho.
O destino de Actéon ilustra uma verdade psicológica: Se dermos aos nossos instintos a liberdade de agir sem restrições, eles poderão voltar-se contra nós.



Como indicam os velhos mitos, o homem primitivo encontrava grande dificuldade em controlar seus instintos, muito próximos da superfície.

Hoje, no entanto, tendemos a esquecer a sua existência, até que ele se precipita para fora da jaula, com a fúria de um leão enraivecido.

Criados dentro das restrições da autoridade externa do "tu deves" _ a fim de criar uma prisão para o desconhecido poder terrificante da autoridade instintual do "eu quero".

O problema é como nos relacionar com elas, sem nos deixar possuir pelo instinto ambivalente que tanto pode ser doadora de vida quanto destruidora. Pois sem o sangue dourado do nosso leão interior, seríamos como bonecos de papelão obedecendo às ordens pré-estabelecidas.

Entre esses dois extremos, a força necessária para servir de mediadora não pode vir de fora, como uma simples camada de verniz civilizatório, mas de dentro. A verdadeira cultura é um acontecimento interior, uma mudança na consciência.

Quem quer que tenha ficado "fora de si" de raiva, possuído pela luxúria, ou ciúmes, ou presenciado os olhos coruscantes de desejo de iluminação do fanático; corrompidos pela ambição e dissimulação para obter poder, aprovação, ou domínio. Nunca poderá imaginar-se acima dos animais, pois estará à mercê das forças arquetípicas, permitindo que elas nos devorem a humanidade.

Se não quisermos ser sacudidos contra vontade pelo animal interior, não podemos -lo para trás de nós.
Mais cedo ou mais tarde teremos de prestar-lhe atenção. Colocar a mão no seu focinho, conhecer sua "temerosa simetria". Mas o fato de experimentar o poder do animal não significa gritar as nossas raivas e agressões, tolerando nossa própria histeria em nome da terapêutica.
Ao contrário, toda vez que jogamos em outros nossos afetos, jogamos fora algo que nos pertence: a experiência do animal como nosso animal _ perdemos o contato com a sua força.
Toda vez que damos as costas para essa parte "animal " de nós mesmos, ela se torna mais voraz e exigente. Se lhe ignoramos as exigências, poderemos ser visitados por doenças psicossomáticas.

Quanto mais pudermos, individualmente, conscientizar, a nossa natureza animal, não somente se liberta do poder autônomo do instinto, mas também liberta e transforma igualmente o seu lado instintual.

Um comentário:

Jardim Secreto disse...

Muito esclarecedor seu comentário sobre o Instinto Humano.
Muito verdadeiro seu alerta para não ser relegado, como se fosse tão primitivo, que não deva ser cuidadosamente cuidado.


NM